Abdômen distendido depois das refeições e um laudo de SIBO sem explicação: a cena é comum em consultório. A sigla vem do inglês small intestinal bacterial overgrowth, ou supercrescimento bacteriano no intestino delgado. O nome já diz o essencial: há bactérias em excesso numa região onde a quantidade normalmente é baixa.
O que causa o SIBO
O intestino delgado tem mecanismos de defesa que mantêm a população bacteriana controlada, como a motilidade (as “ondas” de movimento que varrem o conteúdo adiante), o ácido gástrico e a válvula entre o delgado e o cólon. Quando um desses mecanismos falha, o risco de supercrescimento aumenta.
Fatores de risco descritos na literatura
- Alterações de motilidade intestinal.
- Cirurgias que modificam a anatomia do intestino.
- Doenças como Crohn e doença celíaca.
- Uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol etc).
- Histórico de Gastrite.
Ter um fator de risco não significa ter SIBO. Ele apenas aumenta a suspeita quando há sintomas compatíveis.
Sintomas de SIBO
Os sintomas mais citados são distensão abdominal, gases, dor abdominal e diarreia. O problema é que essa lista é praticamente a mesma da síndrome do intestino irritável, da intolerância à lactose e de outras condições comuns.
Sintoma isolado não fecha diagnóstico, quem se automedica com base em uma lista de sinais na internet corre o risco de tratar a doença errada.
Sintomas sozinhos não confirmam SIBO. O diagnóstico depende de avaliação médica e, na maioria dos casos, de teste respiratório.
Como é feito o diagnóstico do SIBO
Na prática, o exame mais usado é o teste respiratório. O paciente ingere glicose ou lactulose e sopra em intervalos regulares. O aparelho mede hidrogênio e metano, gases produzidos por bactérias.
O teste tem limitações conhecidas, como variação de preparo e de trânsito intestinal entre pacientes, o resultado deve ser interpretado por um médico, junto com o quadro clínico.
Tratamento: o que a evidência sustenta
O tratamento de base é antibiótico específico, prescrito por médico. A rifaximina é o mais estudado e considerado uma opção de primeira linha.
Quanto à alimentação, é preciso separar o que se sabe do que se repete na internet. O mesmo vale para suplementos e fitoterápicos vendidos com essa promessa.
Nutricionista SIBO: qual o papel real da dieta
A dieta Low FODMAP atuará reduzindo os efeitos colaterais do quadro e favorecendo o tratamento. Quem tem sintomas por meses costuma cortar alimentos por conta própria, e listas longas de restrição aumentam o risco de dieta pobre em nutrientes.
Um nutricionista SIBO experiente trabalha em três frentes:
- Avaliar o que o paciente já cortou e se a alimentação continua adequada.
- Evitar restrições sem respaldo, que pioram a qualidade de vida sem benefício comprovado.
- Acompanhar sinais de carência nutricional quando houver má absorção, como a de vitamina B12.
Atendimento com nutricionista online
A consulta com nutricionista online funciona bem para o tratamento do SIBO, é analisado todo o histórico de saúde, rotina alimentar, exames e sintomas. Após a consulta existe um acompanhamento e suporte para
O acompanhamento nutricional complementa o tratamento médico e não o substitui.
Fontes:
- Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. American Journal of Gastroenterology, 2020;115(2):165-178. DOI: 10.14309/ajg.0000000000000501.
- Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. American Journal of Gastroenterology, 2017;112(5):775-784. DOI: 10.1038/ajg.2017.46.



