Entenda como funcionam as canetas emagrecedoras, o que os estudos mostram sobre resultados e efeitos colaterais e o papel do acompanhamento nutricional.
Canetas emagrecedoras: o que os estudos mostram sobre resultados e riscos
As canetas emagrecedoras viraram assunto de almoço de escritório, mas a prescrição é médica e tem critérios. Quem pesquisa o tema costuma querer saber quanto peso se perde de fato, o que acontece se parar e se dá para fazer isso sozinho.
Os estudos respondem boa parte dessas dúvidas. As respostas são menos simples do que a propaganda sugere.
O que são as canetas emagrecedoras
São medicamentos injetáveis, aplicados uma vez por semana, que imitam hormônios intestinais ligados à saciedade e foram desenvolvidos para o tratamento do Diabetes e Obesidade. A semaglutida (Ozempic, Wegovy) atua no receptor de GLP-1. A tirzepatida (Mounjaro) atua no GLP-1 e também no GIP. A caneta é só o dispositivo de aplicação, quem age é o princípio ativo.
O estudo principal da semaglutida em obesidade usou 2,4 mg semanais, dose que corresponde ao Wegovy. Os resultados dele não se transferem automaticamente para as doses de Ozempic. Usar Ozempic para emagrecer, sem diabetes, é uso fora da bula, e a decisão cabe ao médico.
Quanto peso as canetas emagrecedoras fazem perder
No estudo com 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade e sem diabetes, a semaglutida 2,4 mg levou a uma perda média de 14,9% do peso em 68 semanas. O grupo placebo perdeu 2,4%.
Em outra pesquisa, a tirzepatida produziu perdas médias de 15,0% (5 mg), 19,5% (10 mg) e 20,9% (15 mg) em 72 semanas, contra 3,1% no placebo.
Esses números são médias de participantes que também receberam orientação de dieta e atividade física. O resultado individual varia e a média não é uma promessa. Há ainda uma preocupação sobre a composição corporal pois parte do peso perdido poderá ser de massa magra, não só gordura.
Efeitos colaterais mais comuns
Náusea, diarreia, vômito e constipação lideraram a lista. Os sintomas tendem a aparecer na fase de aumento da dose.
O que acontece quando o tratamento para
A obesidade é uma doença crônica e a interrupção do tratamento costuma ocasionar no reganho de peso. O desmame do medicamento precisa ser alinhado com o médico.
Nutricionista no uso de Mounjaro e Ozempic
O nutricionista não prescreve nem ajusta a dose do medicamento. Isso é papel do médico. O que ele acompanha é a alimentação de quem passou a sentir menos fome.
Um exemplo comum: a pessoa começa o tratamento, perde o apetite e passa a pular o almoço. Montar refeições pequenas e organizadas ajuda a manter a ingestão sob controle.
Sobre massa magra, há evidência indireta. Em idosos com obesidade que faziam dieta (sem uso de caneta), o treino de força combinado ao aeróbico preservou melhor a função física e a massa magra.
O músculo importa para mobilidade, controle da glicose e manutenção do peso a longo prazo. Por isso a ingestão de proteína entra no radar do acompanhamento nutricional. Não há consenso definido de uma meta de proteína específica, a ingestão deve ser avaliada individualmente pelo nutricionista.
Referências
- Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. (2021). Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. New England Journal of Medicine, 384(11), 989-1002. DOI: 10.1056/NEJMoa2032183
- Jastreboff AM, Aronne LJ, Ahmad NN, et al. (2022). Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. New England Journal of Medicine, 387(3), 205-216. DOI: 10.1056/NEJMoa2206038
- Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. (2022). Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, 24(8), 1553-1564. DOI: 10.1111/dom.14725 [VERIFICAR: volume e páginas]
- Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, et al. (2023). Semaglutide and cardiovascular outcomes in obesity without diabetes. New England Journal of Medicine, 389(24), 2221-2232. DOI: 10.1056/NEJMoa2307563
- Villareal DT, Aguirre L, Gurney AB, et al. (2017). Aerobic or resistance exercise, or both, in dieting obese older adults. New England Journal of Medicine, 376(20), 1943-1955. DOI: 10.1056/NEJMoa1616338



