Número de Doenças Inflamatórias Intestinais Sobe 233% em 8 Anos no Brasil

Você já se sentiu incomodado com problemas digestivos persistentes, como diarreia, cólicas ou dores abdominais? Se sim, saiba que você não está sozinho. As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) estão em ascensão no Brasil, com um aumento alarmante de 233% nos últimos 8 anos. Essa estatística preocupante, revelada por um estudo recente publicado na revista The Lancet Regional Health Americas, acende um alerta sobre a necessidade de maior conscientização e diagnóstico precoce dessas condições.

Imagine conviver diariamente com desconfortos que afetam sua qualidade de vida, limitando suas atividades e impactando sua saúde emocional. As DIIs, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, são caracterizadas pela inflamação crônica do trato gastrointestinal, causando uma série de sintomas que podem variar de leves a graves. Mas, afinal, o que está por trás desse aumento expressivo de casos no Brasil? Quais são os fatores de risco envolvidos? E, mais importante, como podemos identificar e tratar essas doenças para garantir uma vida mais saudável e plena?

O Que São Doenças Inflamatórias Intestinais?

As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) são um grupo de condições crônicas que causam inflamação no trato gastrointestinal. As duas principais DIIs são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Embora ambas as condições causem inflamação no intestino, elas afetam diferentes partes do trato gastrointestinal e têm características distintas.

A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus, mas geralmente acomete o íleo (parte inferior do intestino delgado) e o cólon (intestino grosso). A inflamação na doença de Crohn pode se estender por todas as camadas da parede intestinal, causando lesões profundas e, em alguns casos, fístulas (conexões anormais entre diferentes partes do intestino ou entre o intestino e outros órgãos).

Já a retocolite ulcerativa afeta apenas o cólon e o reto. A inflamação se limita à camada mais interna da parede intestinal (mucosa) e geralmente começa no reto, se estendendo de forma contínua pelo cólon. Diferentemente da doença de Crohn, a retocolite ulcerativa não causa lesões profundas ou fístulas.

Aumento Alarmante no Brasil

O estudo publicado na revista The Lancet Regional Health Americas revelou um aumento de 233% na incidência de doenças inflamatórias intestinais no Brasil, entre 2012 e 2020. Esse aumento expressivo demonstra a crescente importância de se conscientizar sobre essas condições e buscar o diagnóstico precoce.

De acordo com a pesquisa, a incidência de DIIs saltou de 30 casos por 100 mil habitantes em 2012 para 100,1 casos por 100 mil habitantes em 2020. Esse aumento foi observado tanto para a doença de Crohn quanto para a retocolite ulcerativa, com um crescimento de 167,4% e 257,6%, respectivamente.

O estudo também apontou que as taxas de prevalência em 2020 foram maiores nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, em comparação com as regiões Norte e Nordeste. Essa diferença pode estar relacionada a fatores como estilo de vida ocidentalizado, dieta e perfil genético dos pacientes.

Causas e Fatores de Risco

As causas exatas das doenças inflamatórias intestinais ainda não são totalmente compreendidas. No entanto, acredita-se que uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos desempenhe um papel no desenvolvimento dessas condições.

Alguns dos fatores de risco associados às DIIs incluem:

  • Histórico familiar de DIIs
  • Alterações no sistema imunológico
  • Mudanças na flora intestinal
  • Dieta rica em alimentos processados e pobre em fibras
  • Tabagismo (especialmente para a doença de Crohn)
  • Uso de certos medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

É importante ressaltar que a presença de um ou mais fatores de risco não significa necessariamente que a pessoa irá desenvolver uma DII. No entanto, esses fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver a condição.

Sintomas das DIIs

Os sintomas das doenças inflamatórias intestinais podem variar de leves a graves e dependem da localização e da extensão da inflamação. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:

  • Diarreia crônica (com ou sem sangue)
  • Cólicas abdominais
  • Dor abdominal
  • Sangramento retal
  • Urgência para evacuar
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Perda de peso não intencional
  • Febre
  • Anemia

Em alguns casos, as DIIs também podem causar sintomas fora do intestino, como:

  • Dor nas articulações
  • Inflamação nos olhos
  • Erupções cutâneas
  • Úlceras na boca

É importante procurar um médico se você apresentar sintomas persistentes que sugiram uma DII. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem ajudar a controlar a inflamação, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Diagnóstico das DIIs

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais geralmente envolve uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.

O médico irá revisar seu histórico médico e realizar um exame físico para avaliar seus sintomas e procurar sinais de inflamação. Além disso, ele poderá solicitar os seguintes exames:

  • Exames de sangue: para verificar sinais de inflamação, anemia e deficiências nutricionais.
  • Exames de fezes: para detectar sangue, bactérias ou parasitas.
  • Colonoscopia: um exame em que um tubo fino e flexível com uma câmera é inserido no reto para visualizar o cólon e coletar amostras de tecido (biópsias) para análise.
  • Endoscopia digestiva alta: um exame semelhante à colonoscopia, mas que permite visualizar o esôfago, o estômago e o duodeno.
  • Exames de imagem: como radiografias, tomografias computadorizadas (TC) ou ressonâncias magnéticas (RM), para avaliar a extensão da inflamação e procurar complicações, como fístulas ou abscessos.

Com base nos resultados desses exames, o médico poderá determinar se você tem uma DII e qual o tipo específico (doença de Crohn ou retocolite ulcerativa).

Tratamento das DIIs

Embora não haja cura para as doenças inflamatórias intestinais, o tratamento adequado pode ajudar a controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir complicações. O objetivo do tratamento é induzir e manter a remissão, ou seja, um período sem sintomas.

O tratamento das DIIs geralmente envolve uma combinação de medicamentos, mudanças na dieta e, em alguns casos, cirurgia.

Alguns dos medicamentos utilizados no tratamento das DIIs incluem:

  • Anti-inflamatórios: como a mesalazina, que ajudam a reduzir a inflamação no intestino.
  • Corticosteroides: como a prednisona, que são usados para reduzir a inflamação em casos mais graves.
  • Imunossupressores: como a azatioprina e o metotrexato, que ajudam a suprimir o sistema imunológico e reduzir a inflamação.
  • Biológicos: como o infliximabe e o adalimumabe, que são anticorpos que bloqueiam proteínas específicas envolvidas na inflamação.
  • Antibióticos: que podem ser usados para tratar infecções bacterianas que podem ocorrer como complicação das DIIs.

Além dos medicamentos, a dieta desempenha um papel fundamental no tratamento das DIIs. Algumas mudanças na dieta que podem ajudar a aliviar os sintomas incluem:

  • Evitar alimentos que desencadeiam os sintomas, como alimentos ricos em gordura, laticínios, glúten, alimentos processados e bebidas açucaradas.
  • Consumir uma dieta rica em fibras, frutas, vegetais e proteínas magras.
  • Beber bastante água para evitar a desidratação.
  • Fazer refeições menores e mais frequentes.
  • Considerar o uso de suplementos nutricionais, como vitaminas e minerais, para corrigir deficiências.

Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para tratar complicações das DIIs, como obstruções intestinais, fístulas, abscessos ou sangramento incontrolável. A cirurgia pode envolver a remoção de parte do intestino afetado ou a realização de um procedimento para desviar o fluxo das fezes.

É fundamental contar com o acompanhamento de um nutricionista para doenças gastrointestinais. Este profissional pode auxiliar na elaboração de um plano alimentar individualizado, considerando as necessidades e restrições de cada paciente, otimizando a absorção de nutrientes e minimizando os sintomas desconfortáveis. A individualização da dieta é crucial para o sucesso do tratamento.

A Importância do Acompanhamento Multidisciplinar

O tratamento das doenças inflamatórias intestinais é complexo e requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diferentes profissionais de saúde. Além do gastroenterologista, que é o médico especialista no diagnóstico e tratamento das DIIs, outros profissionais podem desempenhar um papel importante no cuidado do paciente, como:

  • Nutricionista: para orientar sobre a dieta adequada e garantir a ingestão de nutrientes essenciais.
  • Psicólogo: para ajudar a lidar com o impacto emocional da doença e melhorar a qualidade de vida.
  • Enfermeiro: para fornecer educação sobre a doença, os medicamentos e os cuidados com o estoma (se necessário).
  • Assistente social: para auxiliar na obtenção de recursos e suporte social.

O acompanhamento multidisciplinar garante que o paciente receba um cuidado abrangente e individualizado, abordando não apenas os aspectos físicos da doença, mas também os aspectos emocionais e sociais.

Qualidade de Vida e DIIs

As doenças inflamatórias intestinais podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Os sintomas crônicos, como diarreia, dor abdominal e fadiga, podem limitar as atividades diárias, interferir no trabalho e nos estudos, e afetar os relacionamentos sociais.

Além disso, as DIIs podem causar ansiedade, depressão e baixa autoestima. O medo de ter um surto de sintomas em público pode levar ao isolamento social e à evitação de atividades prazerosas.

No entanto, com o tratamento adequado e o apoio de uma equipe multidisciplinar, é possível controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e levar uma vida plena e ativa. Algumas dicas para melhorar a qualidade de vida com DIIs incluem:

  • Seguir o plano de tratamento recomendado pelo médico.
  • Fazer as mudanças na dieta recomendadas pelo nutricionista.
  • Praticar atividades físicas regularmente.
  • Gerenciar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, como meditação e ioga.
  • Participar de grupos de apoio para compartilhar experiências e obter suporte emocional.
  • Buscar ajuda psicológica se estiver se sentindo ansioso, deprimido ou sobrecarregado.

O Papel do Sistema Único de Saúde (SUS)

O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel fundamental no diagnóstico e tratamento das doenças inflamatórias intestinais no Brasil. O SUS oferece acesso gratuito a consultas médicas, exames diagnósticos, medicamentos e cirurgias para pacientes com DIIs.

No entanto, o acesso aos serviços de saúde para pacientes com DIIs ainda enfrenta desafios, como a falta de especialistas em algumas regiões do país, a demora na realização de exames e a dificuldade em obter alguns medicamentos. É importante que o governo e as autoridades de saúde invistam em políticas públicas para melhorar o acesso aos serviços de saúde para pacientes com DIIs e garantir um cuidado integral e de qualidade.

Conclusão: Informação e Ação para uma Vida Melhor

O aumento da incidência de doenças inflamatórias intestinais no Brasil é um sinal de alerta que exige atenção e ação. É fundamental que a população esteja informada sobre os sintomas, as causas e os tratamentos disponíveis para essas condições. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem fazer toda a diferença na qualidade de vida dos pacientes.

Se você suspeita que pode ter uma DII, não hesite em procurar um médico. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acesso gratuito a consultas médicas e exames diagnósticos. Além disso, procure um nutricionista para doenças gastrointestinais para receber orientações sobre a dieta adequada e garantir a ingestão de nutrientes essenciais. Lembre-se que você não está sozinho e que há muitos recursos e profissionais disponíveis para ajudá-lo a viver bem com uma DII.

Ao compreendermos a complexidade das doenças inflamatórias intestinais e ao buscarmos o tratamento adequado, podemos transformar o impacto dessas condições em nossas vidas. A informação é uma ferramenta poderosa, e a ação é o caminho para uma vida mais saudável e plena. Não ignore os sinais do seu corpo, procure ajuda médica e abrace a possibilidade de viver com qualidade, mesmo diante de um diagnóstico de DII.

Fontes:

Bárbara Sant'Ana

Bárbara Sant'Ana é nutricionista formada pela FURB, apaixonada por transformar vidas através da alimentação. Com foco em emagrecimento, saúde intestinal, doenças crônicas e vegetarianismo, ela oferece consultas presenciais e online, personalizadas para cada indivíduo. Sua abordagem combina ciência e empatia, utilizando a interpretação de exames para construir planos alimentares eficazes e sustentáveis. Bárbara também compartilha seu conhecimento em palestras, inspirando e educando sobre o poder da nutrição para uma vida mais saudável e feliz.

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